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NOTÍCIAS - Um em cada cinco casos de tuberculose é resistente a tratamento Especialistas alertam para risco de ‘epidemia global sem precedentes’ por Ana Beatriz de Melo A Del Tio

O aumento dos casos de tuberculose resistente a tratamentos ameaça décadas de progresso no controle dessa doença contagiosa, alertaram especialistas nesta quinta-feira. A estimativa é que um em cada cinco pacientes é infectado por bacilos imunes a ao menos um medicamento; e um em cada 20, por bactéria multirresistente, capaz de sobreviver a mais de uma droga.


A tuberculose é a doença infecciosa que mais mata no mundo, superando até mesmo a temida AIDS. Apenas em 2015, foram 1,8 milhão de mortos, segundo dados da Organização Mundial da Saúde. Apesar de novas drogas com potencial para combater cepas resistentes estarem surgindo, especialistas alertam que sem o diagnóstico correto, rastreamento dos casos e protocolos de tratamento, a efetividade desses medicamentos pode ser perdida rapidamente.

— A resistência a drogas contra a tuberculose é um problema global que ameaça os esforços para erradicação da doença — disse à Reuters Keertan Dheda, professor da Universidade da Cidade do Cabo, na África do Sul, que coliderou estudo publicado no periódico “Lancet Respiratory Medicine”. — As taxas de cura para tuberculose resistente são baixas, e as pessoas podem continuar infectadas.

A tuberculose é uma infecção bacteriana normalmente tratada com uma combinação de antibióticos, mas o uso excessivo dessas medicações em todo o mundo provocou o surgimento de “superbactérias”, cepas imunes ao tratamento. A maior ameaça é de bacilos multirresistentes, imunes a duas drogas essenciais de primeira linha, isoniazida e rifampicina, ou mesmo a fluoroquinolonas e outros fármacos de segunda linha.

TRANSPORTE PELA MIGRAÇÃO

Cerca de metade dos casos globais de tuberculose multirresistente se concentra na Índia, China e Rússia, mas a migração e as viagens internacionais transportaram essas cepas para praticamente todo o mundo. David W Dowdy, especialista na doença na Escola de Saúde Pública da Johns Hopkins, nos EUA, alerta que na próxima década “é bastante possível que nós veremos uma epidemia de tuberculose multirresistente de escala global sem precedentes”.

— A diferença para esse resultado está menos com o patógeno e mais com a vontade política de se priorizar (o combate à doença) — disse Dowdy. — A tuberculose multirresistente não está parada, e nós também não podemos ficar.



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