LabClínicas

NOTÍCIAS - Pouco esforço físico já aumenta a expectativa de vida - por Ana Beatriz de Melo A. Del Tio

Eles não correm maratonas, não costumam treinar de segunda a segunda, não se exercitam por horas a fio num dia e, ainda assim, viverão mais e melhor do que os sedentários, mesmo se tiverem uns quilos a mais. Aquela velha desculpa de que é preciso uma atividade física intensa para notar alguma melhora na saúde não se sustenta com a publicação, no periódico “Plos Medicine”, de um amplo estudo que reuniu dados de cerca de 650 mil pessoas de diferentes países, e apontou que apenas 75 minutos semanais de caminhada são o suficiente para aumentar a expectativa de vida após os 40 anos.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda um mínimo de 150 minutos semanais de atividade moderada, o que equivale a uma caminhada numa passada rápida. Mas este estudo, coordenado por institutos da Europa e Estados Unidos (entre eles, a Escola de Medicina de Harvard), vem mostrar que metade disto já significa um ganho de 1,8 ano na expectativa de vida, se comparado ao indivíduo inativo. Adotando a orientação da OMS, a vantagem pode ser de até 4,5 anos.

— É claro que aumentando a quantidade, os benefícios aumentam, mas é muito importante desmistificar a ideia de que “já que eu só consigo pouco, então não adianta fazer”. Qualquer quantidade vale a pena. O corpo humano é projetado evolutivamente para a atividade e nosso organismo parece funcionar melhor quando somos ativos. A outra opção, que é o sedentarismo, é desastrosa — comentou o professor de educação física Marcelo Cabral. — Quando se fala em exercício e mortalidade, é importante que se entenda que o exercício obviamente não impede a morte, ele somente evita que ela ocorra precocemente.

O estudo também mostra em quais casos é possível perder alguns anos na expectativa de vida. Por exemplo, um magro, porém inativo, pode perder quase cinco anos. Se ele ainda tiver sobrepeso, com índice de massa corpórea (IMC) acima de 35 kg/m², a perda é de 7,2 anos. Por outro lado, se ele compensar com atividade física, a expectativa de vida á mantida, sem perdas.

— É mais perigoso ser sedentário com peso normal do que fisicamente ativo e gordinho — avaliou o diretor da Clínica de Medicina do Exercício (Clinimex), Cláudio Gil.