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NOTÍCIAS - Nova Pesquisa para Combate e Prevenção da Osteoporose - por Ana Beatriz de Melo A. Del Tio

Na semana em que é lembrado o Dia Mundial de Combate e Prevenção da Osteoporose (20 de outubro), a Associação Brasileira de Avaliação Óssea e Osteometabolismo (Abrasso) divulga os dados de uma pesquisa preocupante: seis em cada 10 brasileiras acreditam que o consumo de apenas um copo de leite por dia pode prevenir a osteoporose.

De acordo com a associação, a quantidade equivale a um terço do mínimo recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

— A pesquisa traz uma contribuição importante para a sociedade, especialmente para nós especialistas. Um alerta de que é preciso ampliar e massificar informações sobre o papel da alimentação saudável para a saúde óssea e a prevenção da osteoporose — explica o ginecologista Bruno Muzzi, presidente da Abrasso.

Realizada pelo IBOPE, a pesquisa reuniu mais de 2 mil mulheres em todo o Brasil e indica que a prevenção da osteoporose ainda é incipiente no país. Mais de 60% das brasileiras não ingere as três porções de leite e derivados indicadas para prevenir a osteoporose. Segundo a Abrasso, a falta de preocupação com a doença pode favorecer o aumento no número de casos.

— É importante investirmos em campanhas de conscientização da doença e apresentarmos formas possíveis de obter os nutrientes necessários para a promoção da saúde óssea — diz Muzzi.

De acordo com a entidade, o mais preocupante são as afirmações de mulheres entre 16 a 44 anos sobre a prevenção. De acordo com o estudo, 60% têm a ideia errada de que tomar apenas um copo de leite por dia é suficiente para se manterem saudáveis e, consequentemente, prevenir a osteoporose. O problema também aparece nas mulheres com mais de 45 anos de idade que, mesmo conhecendo a doença, não sabem que a prevenção deve ser iniciada na infância. Para 70% delas, os cuidados devem começar somente na fase adulta, principalmente a partir dos 40 anos; 89% delas também não relacionam a menopausa como fator de risco associado à osteoporose. Outras 36% se incomodam muito pouco ou não se preocupam com o desenvolvimento da doença no futuro. Paralelamente aos hábitos alimentares inadequados, não há uma preocupação em relação à prática de atividade física, importante fator para promoção da saúde óssea em todas as fases da vida. Das entrevistadas, 72% se colocou na categoria sedentária.

Esses dados fortalecem a percepção dos especialistas de que a osteoporose, apesar de mais conhecida do grande público, é vista ainda como algo distante da população. Outro fator que pode contribuir para isso é a crença errada de que a osteoporose é uma doença que causa dores. Para 96% das entrevistadas, a visita ao médico só deve ser feita ao sentir dor .

— É uma percepção errada, pois se trata de uma doença silenciosa — garante Muzzi.

Mas não são só as mulheres que sofrem desse mal. De acordo com a Abrasso, mesmo em proporção bem menor, doença silenciosa atinge também os homens e é tão perigosa quanto a hipertensão. Atualmente, cerca de 10 milhões de pessoas no Brasil tem osteoporose, sendo que a relação é de 10 mulheres com a doença para cada homem.

De acordo com o Muzzi, estima-se que a cada três segundos ocorra uma fratura em consequência da doença em algum lugar do planeta.

— Após os 50 anos de idade, uma em cada três mulheres e um em cada cinco homens sofrerão pelo menos uma fratura no resto de suas vidas — alerta.