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NOTÍCIAS - Mutações genéticas estão por trás de formas mais graves de gripe, diz estudo - por Ana Beatriz de Melo A Del Tio

Enquanto muitos de nós nos recuperamos da influenza após uma semana, esta pode ser uma doença muito grave, e até mesmo fatal em alguns casos, sem qualquer razão para que os médicos esperem este resultado.

Analisando o genoma de uma menina que contraiu uma forma severa de influenza com dois anos e meio de idade, pesquisadores do Laboratório de Genética Humana de Doenças Infecciosas, uma instituição franco-americana, descobriram que ela era portadora de uma mutação genética, desconhecida até agora, que causava uma disfunção sutil em seu sistema imunológico.

O estudo mostra que as mutações genéticas podem ser a raiz de diversas formas de influenza em crianças, e indica que mecanismos imunes ausentes na menina são necessários para a proteção contra este vírus em humanos. As conclusões da pesquisa foram publicadas na revista “Science”.


A ausência dos casos de gripe severa em pacientes com imunodeficiências adquiridas conhecidas, que geralmente aumentam a suscetibilidade a infecções, também é surpreendente.Os principais fatores de risco conhecidos para formas graves de influenza são algumas comorbidades adquiridas, tais como a doença pulmonar crônica. No entanto, a causa da maioria dos casos fatais ainda é misteriosa, especialmente em crianças.

Considerando estas observações, os pesquisadores formularam uma hipótese de que a gripe severa em crianças saudáveis pode ser resultado de erros genéticos.

Para testar esta teoria, os cientistas sequenciaram o genoma inteiro de uma criança de 7 anos de idade, que havia contraído um tipo grave de influenza (influenza A subtipo H1N1), requerendo sua admissão em uma unidade de terapia intensiva pediátrica em janeiro de 2011, quando tinha dois anos e meio de idade. Na época, ela não mostrou nenhuma outra patologia conhecida que poderia ter sugerido uma maior vulnerabilidade ao vírus do que a de outras crianças.

Este exame, combinado com a análise dos genomas de seus pais, tornou possível mostrar que a menina tinha herdado um alelo mutante de um gene, cuja presença interrompeu o sistema de defesa contra a infecção pelo vírus.

Através da realização de uma ampla série de experimentos em células sanguíneas e pela geração de células do pulmão a partir de células-tronco retiradas da criança, os pesquisadores provaram que as mutações observadas na menina explicam o desenvolvimento da influenza grave.

Os pesquisadores também pretendem procurar mutações em genes de outras crianças recrutadas após episódios de gripe severa inexplicada.



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