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NOTÍCIAS - Médicos listam procedimentos que seriam pouco eficazes ou desnecessários Relação de grupo britânico inclui exames relativos a lombalgia e ao câncer - por Ana Beatriz de Melo A Del Tio

Para limpar cortes e arranhões, basta usar água da torneira, tão boa quanto soluções salinas. Crianças com bronquiolite, ou problemas respiratórios em geral, normalmente melhoram sem tratamento. Mulheres acima dos 45 anos não precisam de exame de sangue para diagnosticar menopausa. Tampouco os de raio-X ajudam, de fato, pacientes que sentem dor na região lombar (lombalgia). É o que dizem médicos da Academy of Medical Royal Colleges, no Reino Unido, que elaboraram uma lista de 40 tratamentos, exames e procedimentos considerados desnecessários ou pouco eficazes para pacientes. A iniciativa faz parte de uma campanha para reduzi-los e deverá ser atualizada a cada ano.

“Eu acho que o que temos é uma cultura de ‘podemos fazer algo, portanto, devemos fazer algo’ e precisamos parar e refletir para decidir qual é a melhor opção para o paciente em suas circunstâncias individuais”, disse à BBC a professora Dame Sue Bailey, presidente da instituição.Médicos de 11 especialidades foram convidados a identificar cinco prescrições comumente feitas em sua área de atuação que nem sempre são necessárias ou valorosas. Esse relatório tem sido usado como parte da campanha “escolha sabiamente” para destacar a necessidade de pacientes e médicos falarem francamente sobre como as questões de saúde devem ser tratadas. Há pouco tempo, clínicos gerais foram aconselhados a reduzir a prescrição de antibióticos aos pacientes.

Os pacientes, no caso, também são encorajados a questionar mais os procedimentos. A academia diz que eles devem sempre fazer cinco perguntas-chaves quando procuram um tratamento. São elas: Eu realmente preciso deste teste, tratamento ou procedimento? Quais são os riscos ou desvantagens? Quais são as possibilidades de efeitos colaterais? Há opções mais simples e seguras? O que vai acontecer se eu não fizer nada?

Entre os conselhos da lista, um diz que a quimioterapia pode ser usada para aliviar os sintomas de câncer terminal, mas, que além de não curar a doença, pode trazer mais sofrimento nos meses finais de vida. E que a triagem de rotina para checar as condições da próstata, por meio de toque real e dosagem de PSA (antígeno prostático específico) no sangue, “não conduz a uma vida mais longa e pode trazer ansiedade desnecessária”. Esta última dividiu sociedades médicas brasileiras no ano passado. A Sociedade Brasileira de Urologia, por exemplo, defende o diagnóstico precoce e recomenda que homens com mais de 45 anos façam seus exames anualmente. Já a Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade, passou a contraindicar o teste por acreditar que tal avaliação não diminui a mortalidade dos homens. Ambos apresentaram laudos comprobatórios, na época, para embasar suas teses.

“Alguns destes tratamentos pode ser bastante invasivos e demorados. Existem opções mais simples e tão seguras quanto, então, por que não usá-las?”, indaga Dame Sue, da Academy of Medical Royal Colleges.

De acordo com as orientações que a Clínica paulista Dr. Hong Jin Pai (médico formado pela Faculdade de Medicina da USP, com especialização e pós-graduação em Acupuntura na China) publica em seu site, em cerca de 90% dos casos, a lombalgia — um dos maiores motivos de visita ao médico, depois do resfriado — é diagnosticada por uma conversa entre o especialista e o paciente, além de um exame físico detalhado.

“O médico clínico, fisiatra ou reumatologista pode fazer o diagnóstico. Por exemplo, uma das causas mais comuns de dores músculo-esqueléticas é a síndrome dolorosa miofascial, aonde ocorrem nódulos e bandas tensas dolorosas (os pontos gatilhos), que ao serem palpados pelo médico especialista, reproduzem a dor”, esclarece o portal.

Quando há suspeitas de causas de lombalgias mais graves, como infecções, tumores, ou compressões nervosas, o profissional pode solicitar exames complementares, como a radiografia, a tomografia computadorizada, a ressonância magnética e a eletroneumiografia.



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