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NOTÍCIAS - Mais de três milhões de brasileiros não sabem que têm diabetes - por Ana Beatriz de Melo A Del Tio

No Brasil, um total de 3,2 milhões de pessoas têm diabetes e não sabem - número que cresceu 14% em relação ao ano passado, conforme apontou uma atualização com dados deste ano da sexta edição do Atlas da Diabetes divulgada nesta sexta-feira. O levantamento, realizado pela Federação Internacional da Diabetes, revelou, ainda, que o Brasil tem 11,6 milhões de diabéticos de 387 milhões de casos registrados no mundo.

De acordo com o presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), Walter Minicucci, o resultado é alarmante.



- Se a gente levar em conta, por exemplo, que a diabetes é a maior causa de cegueira, de insuficiência renal e a segunda causa de amputação de membros inferiores, o número é muito preocupante. O nível de gasto público com essa doença é altíssimo - afirma Minicucci, diante do dado de US$ 612 bilhões investidos mundialmente para despesas da doença entre indivíduos de 20 a 79 anos.

Outro resultado crítico é a estimativa de um aumento de 205 milhões de casos a nível mundial até 2035, totalizando 592 milhões. Um dos principais motivos para esse crescimento seria o fato de que é uma doença silenciosa, com uma evolução mais lenta, sintomas poucos claros, e, consequentemente, diagnóstico tardio, diz o endocrinologista.

- A diabete do tipo 1 acomete principalmente as crianças e os jovens, com manifestação rápida. Já a do tipo 2, a mais comum - cerca de 90% dos casos - às vezes demora anos para os sintomas aparecerem. O indivíduo pode ter um pouco mais de sede, mas não percebe que está alterado, e até acaba se acostumando com os sintomas - alerta.

Com esse número crescente, Minicucci ratifica que é necessário levar mais conhecimento sobre a doença para a população.

- Devemos cobrar que o poder público planeje atitudes para esse quadro. Precisamos fazer mais campanhas de alimentação, de detectação da diabetes, de orientação para os detectados - sugere.

Do total de casos pelo mundo atualmente, em que uma pessoa morre de diabetes a cada sete segundos, 77% vivem em países de média e baixa renda. Isso ocorre, explica Minicucci, por que houve, nas últimas décadas, uma “ocidentalização da dieta”, isso é, os países menos favorecidos acabaram seguindo o exemplo americano de comer - muitos alimentos processados, com conservantes.

Assim, a médica nutróloga Alice Amaral, que também se mostra preocupada com o resultado, afirma que a diabetes é uma doença “evitável”. Para ela, a maneira como vivemos atualmente e como lidamos com o nosso corpo é perigosa e favorece o surgimento de problemas como a diabetes e a obesidade.

- Quem não tem tempo para se cuidar, vai ter que ter tempo para cuidar da doença - diz, complementando que a correria do dia a dia não pode fazer com que a pessoa deixe de lado os cuidados com a saúde.

Especialista em Nutrologia pela Associação Médica Brasileira (AMB) e pela Associação Brasileira de Nutrologia, Amaral dá algumas dicas para quem julga não ter muito tempo para parar e se alimentar. Na bolsa, opções como macadâmia, amêndoa e frutas podem aparecer; já se o caso for recorrer a um self service, não passe reto da parte da salada, mas dê especial atenção a ela e à das carnes magras.

O exercício também não pode ficar de fora da rotina de jeito nenhum, como forma de prevenção da doença, segundo a médica. Para isso, Amaral sugere algumas leves modificações na rotina que podem ajudar.

- Não fomos criados para ficarmos andando de carro, usando elevador. Vá mais de escada, movimente-se. Troque o carro pela caminhada. Se usa transporte público, salte alguns pontos antes. Os hormônios liberados quando nos exercitamos trazem prazer e alegria, ajudam na prevenção, além de ajudar a melhorar o aproveitamento da glicose para os diabéticos que precisam controlá-la - conclui.



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