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NOTÍCIAS - Estudo questiona necessidade de tomar antibióticos até o fim Pesquisadores alertam que uso desnecessário das drogas aumenta risco de resistência - por Ana Beatriz de Melo A Del Tio

Continuar tomando antibióticos mesmo após o desaparecimento dos sintomas da doença é uma prática amplamente difundida entre médicos e pacientes, mas um estudo publicado nesta quinta-feira no “British Medical Journal” propõe que ela está errada. Segundo Martin Llewelyn, pesquisador na Escola Médica Sussex e coautor da pesquisa, não existem evidências de que esticar o tratamento para além do necessário diminua os riscos do desenvolvimento de resistência das bactérias, pelo contrário, o risco aumenta.



“Antibióticos são vitais para a medicina moderna, e a resistência a antibióticos é uma ameaça global e urgente à saúde humana”, dizem os pesquisadores. “A relação entre exposição a antibióticos e a resistência é inequívoca, tanto em nível populacional como nos pacientes individuais. Por isso, a redução do uso desnecessário de antibióticos é essencial para mitigar o desenvolvimento de resistência”.

Tradicionalmente, os médicos receitam aos pacientes que terminem o ciclo completo dos antibióticos por uma questão lógica: se algum micróbio causador da infecção sobreviver, ele pode desenvolver resistência ao tratamento e se tornar mais difícil de ser combatido. Os pesquisadores concordam que em alguns casos, como o da tuberculose, isso é verdadeiro. Mas a maioria das doenças bacterianas são provocadas por micro-organismos presentes em todos os humanos, como Escherichia coli e Staphylococcus aureus, que só provocam doenças quando entram na corrente sanguínea ou no sistema digestivo. E quanto mais longa for a exposição às drogas, maiores as chances de desenvolverem resistência.

Os cientistas analisaram a literatura médica sobre a prática, e encontraram “poucas evidências” de aumento das chances de um tratamento falhar se os pacientes não cumprirem todo o ciclo. Historicamente, dizem os pesquisadores, os “ciclos de antibióticos foram ajustados por precedentes, guiados pelo temor do subtratamento, com menos preocupações sobre o uso em excesso”.



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