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NOTÍCIAS - Estudo liga diabetes do tipo 1 à proximidade de fast-foods Prevalência da doença é maior em áreas com mais restaurantes do tipo em Nova York - por Ana Beatriz de Melo A Del Tio

Doença autoimune em que o próprio corpo ataca, e mata, as células produtoras de insulina do pâncreas, o diabetes do tipo 1 geralmente é associado a fatores genéticos. Mas o que leva o sistema imunológico a desencadear essa destruição da capacidade do organismo de fabricar o hormônio responsável por regular o metabolismo de açúcares, deixando a pessoa dependente de injeções regulares da substância para sobreviver e evitar complicações como infarto, cegueira, infecções graves da pele e insuficiência renal, ainda é um mistério.

Assim, uma das hipóteses para explicar por que algumas pessoas desenvolvem o diabetes do tipo 1 são as condições ambientais, entre elas a dieta. E um novo estudo conduzido por pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade de Nova York vem reforçar esta suspeita. De acordo com o levantamento, há uma maior prevalência da doença em áreas da cidade com mais restaurantes do tipo fast-food.

- Tradicionalmente associamos o diabetes do tipo 1 com a genética e o do tipo 2 com a obesidade – lembra David C. Lee, pesquisador da universidade americana e um dos autores do estudo, publicado nesta terça-feira no periódico científico “Journal of the Endocrine Society”. - Mas nossa pesquisa sugere que um ambiente alimentar adverso tem uma importante influência no diabetes do tipo 1, e que uma investigação mais aprofundada da genética, comportamentos relacionados à saúde e influências culturais deve ser levada em consideração no diabetes do tipo 2.

Para o estudo, os pesquisadores angariaram e analisaram dados sobre atendimentos de emergência nos hospitais de Nova York entre 2009 e 2013. Com base em códigos e outras informações constantes dos prontuários, eles puderam identificar quais tinham relação com casos de diabetes dos dois tipos entre 5 milhões de adultos e 1,6 milhão de crianças (definidas como todos menores de 18 anos) residentes na cidade, uma fatia substancial dos 6,5 milhões de adultos e 1,8 milhão de crianças contabilizados nos últimos dados do censo populacional americano. Com isso, eles calcularam a prevalência do diabetes do tipo 1 em 0,23% entre os adultos nova-iorquinos, e em 0,2% nas crianças. Já a prevalência dos casos de diabetes do tipo 2 foi estimada em 10,5% entre os adultos, e em 0,11% entre as crianças, todos números em linha com levantamentos nacionais sobre a doença nos EUA.

Mas os prontuários hospitalares também traziam informações sobre as regiões da cidade em que os pacientes moravam. Assim, ao mesmo tempo os pesquisadores levantaram dados sobre as ofertas de alimentos em várias áreas de Nova York, tanto via restaurantes quanto mercados, com base em informações do serviço de vigilância sanitária da cidade e do Departamento de Agricultura do estado. Com isso, eles identificaram o que são apelidados de “pântanos alimentares”, regiões com maior concentração de estabelecimentos do tipo fast-food e pequenas lojas de conveniência e mercearias, onde a oferta de produtos costuma ser “menos saudável” que a de mercados maiores.

E foi cruzando todas essas informações a partir de cálculos estatísticos que os cientistas observaram que a prevalência de todos tipos de diabetes, com exceção do tipo 2 em crianças, é maior nas áreas com mais restaurantes de fast-food: 55% maior no tipo 1 em adultos; 152% mais no tipo 2 também em adultos; e 103% maior no tipo 1 em crianças. A oferta de alimentos “menos saudáveis” via pequenas lojas de conveniência e mercearias, no entanto, não apresentou uma influência estatisticamente significativa nos casos da doença.

É importante destacar que estes achados sugerem apenas uma correlação entre o diabetes e a concentração de restaurantes de fast-food, sem qualquer indicação de causalidade entre os parâmetros. Ainda assim, Lee considera o estudo e a metodologia usada nele importantes ferramentas para revelar o impacto de doenças em nível local de forma a melhor guiar políticas de saúde pública.

- Estudos futuros devem buscar validar estes métodos para estimar as prevalências de diabetes dos tipo 1 e 2 em adultos e crianças usando fontes alternativas de dados – diz. - Fatores como padrões dietários culturais e crenças arraigadas sobre como uma pessoa desenvolve diabetes devem ser explorados para determinar o que leva certas vizinhanças a enfrentarem um fardo muito maior da doença.



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