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NOTÍCIAS - Estudo levanta debate sobre excesso de tratamento para dor nas costas - por Ana Beatriz de Melo A. Del Tio

Na contramão das facilidades do rápido avanço tecnológico, a prevenção e o tratamento inicial de dores na coluna ainda seguem antigas diretrizes. E funcionam. Mas pesquisadores da Universidade de Harvard, nos EUA, mostraram que, em vez de analgésicos e exercícios leves para tratar o incômodo, os que têm furado a fila são exames avançados de imagem, narcóticos e cirurgias - medidas que deveriam ser recomendadas em casos de dor persistente. Também segundo os cientistas, para prevenir a lombalgia, a velha fórmula ainda tem melhores resultados.

Os pesquisadores analisaram 23.918 visitas ao médico de pacientes que se queixavam de dor nas costas entre 1999 e 2010 nos Estados Unidos. Eles mostraram que o uso de analgésicos caiu 50%, mas o de opiáceos para dores de rotina cresceu 51%; além disso, tomografias computadorizadas e ressonâncias magnéticas aumentaram 57%, e o encaminhamento a outros médicos subiu 106%, o que, segundo os autores, é um provável contribuinte para o aumento de cirurgias.

Estas medidas não fazem parte das diretrizes recomendadas para o início do tratamento, embora sejam cada vez mais usadas, mesmo em casos recentes de dor. Não estamos dizendo que o tratamento está errado, mas sim que o rápido aumento destas terapias é preocupante - afirmou ao GLOBO John Mafi, chefe da residência médica da Universidade de Harvard e autor do estudo.

Mafi diz que a sobrecarga de trabalho do médico, e a expectativa de pacientes de fazerem exames são fatores responsáveis pela mudança no tratamento.

- Às vezes é mais fácil pedir exames e referenciar o paciente a outro especialista do que explicar que a maioria das dores melhora com três meses de tratamentos conservadores. Além disso, médicos não ganham por dar aconselhamento educacional, o que leva muito tempo - acrescenta.

Para dores de coluna que sejam simples, ou seja, sem febre, e sintomas neurológicos relacionados a doenças graves, como câncer, a primeira terapia é a prescrição de analgésicos e a atividade física, quando possível. Se a dor aumentar em até seis semanas, ele recomenda fisioterapia, além de exercícios para fortalecimento e alongamento.

- Muitos ensaios clínicos apoiam esta abordagem - defende.

Para prevenir o início das dores, a fórmula é antiga e eficiente: controle de peso, exercícios físicos e cuidados com a postura.

- Infelizmente a prevenção não mudou muito. Ser fisicamente ativo é a melhor forma de prevenir a dor nas costas. Especialmente se manter flexível com alongamento e fortalecer o centro do corpo, com atividades específicas e abdominais, são as melhores formas de reduzir o risco - diz.

Exercícios físicos que fazem bem para a saúde da coluna

A melhor maneira de evitar a dor nas costas é fazer exercícios regularmente. Pode ser qualquer atividade que mantenha o corpo ativo, mas há alternativas que são especialmente recomendadas para a coluna. O mínimo desejável é de 150 minutos por semana.

Ioga. Uma série de estudos aponta os benefícios para a coluna com a prática de ioga. Pesquisas como a da Universidade de York apontam que os resultados aparecem após 12 semanas de prática. Flexibilidade e fortalecimento de músculos das costas são as vantagens. Outros benefícios que surgiram com a prática, segundo o estudo, foi a habilidade de realizar tarefas mais rapidamente, como andar, se vestir sem ajuda e ficar de pé por mais tempo. Se houver lesões, há determinadas posturas que são desaconselhadas.

Natação. Nadar é uma ótima forma de reduzir o impacto do treinamento aeróbico. Ao contrário de correr ou de praticar outros exercícios aeróbicos, a natação é praticamente livre de impacto na estrutura da coluna. A água segura o corpo, aliviando o estresse nas articulações, aconselha o Centro de Saúde da Universidade de Nottingham, no Reino Unido.

Pilates. Concentra-se nos músculos posturais primários (estômago e costas). Alguns movimentos podem ser muito intensos para quem tem dor nas costas. A técnica começou como um tipo de fisioterapia, e a revisão de estudos, entre eles o da Universidade Griffith, na Austrália, mostrou que execícios com esta base podem reduzir dores. O pilates melhora força, flexibilidade e elasticidade dos músculos do quadril e da cintura.

Tai chi. Técnica milenar chinesa de movimentos lentos e controlados que proporciona força, flexibilidade e equilíbrio. Alguns o chamam de meditação em movimento. Treina o corpo a evitar a má postura, já que emprega movimentos que focam nos músculos ao redor da coluna vertebral. Estudo da Universidade de Sidney, na Austrália, aponta que um programa de dez semanas pode reduzir a dor crônica.




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