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NOTÍCIAS - Estudo inédito explica como o melanoma se espalha pelo corpo, pesquisa pode revolucionar tratamento do mais agressivo câncer de pele - por Ana Beatriz de Melo A Del Tio

RIO — Mais agressiva e mortal forma de câncer de pele, o melanoma faz suas vítimas ao se espalhar para outros órgãos e tecidos do corpo, em um processo conhecido como metástase. Há tempos os cientistas sabem que isso só acontece depois que os tumores originalmente localizados na epiderme, a camada mais externa da pele, invadem a derme, mais profunda, ganhando acesso à rede de vasos sanguíneos que os leva a outras partes do organismo, como cérebro, fígado, pulmões e ossos. Agora, porém, um grupo de pesquisadores israelenses e alemães identificaram o mecanismo que as células afetadas por este tipo de câncer de pele, os melanócitos, usam para chegar à derme e cooptar células do local, conhecidas como fibroblastos, para se espalharem pelo corpo. E também testaram dois compostos que se mostraram capazes de interromper este processo, e portanto são promissores candidatos a tratamento da doença.


A ameaça do melanoma não é o tumor inicial que aparece na pele, mas sua metástase, as células tumorais enviadas para colonizar órgãos vitais como cérebro, pulmões, fígado e ossos — destaca Carmit Levy, pesquisadora do Departamento de Genética Molecular e Bioquímica Humanas da Universidade de Tel Aviv, em Israel, e líder do estudo, publicado esta semana no periódico científico “Nature Cell Biology”. — Descobrimos como este câncer se espalha para órgãos distantes e encontramos maneiras de parar o processo antes do estágio metastático.

Alterações antes da invasão

Segundo os cientistas, antes de invadir a derme, os melanócitos cancerosos inundam a região com pequenas vesículas, chamadas melanossomas, contendo moléculas de microRNA, um tipo de código genético não codificante — isto é, que não carrega instruções para a fabricação de uma proteína. Estas moléculas, no entanto, alteram a expressão dos genes dos fibroblastos na derme, ou seja, sua ativação ou inibição. Com isso, os fibroblastos passam a se multiplicar mais rapidamente, migram e apresentam características pró-inflamatórias, todas reações tipicamente vistas neste tipo de células quando associadas ao câncer. Carmit lembra que as surpresas começaram já nas primeiras análises de amostras retiradas de pacientes com melanoma.

— Investigamos amostras de melanomas precoces, antes do estágio invasivo, e, para nossa surpresa, encontramos alterações na morfologia da derme, a parte interna da pele, que nunca tinham sido relatadas antes — conta. — Descobrimos que mesmo antes de o câncer em si invadir a derme, ele envia estas pequenas vesículas contendo moléculas de microRNA. Essas, por sua vez, induzem alterações morfológicas na derme em preparação para receber e transportar as células cancerosas. Então ficou claro para nós que, ao bloquearmos estas vesículas, talvez pudéssemos parar a doença como um todo.

Sabendo qual o mecanismo usado pelo melanoma para se espalhar pelo corpo, os pesquisadores seguiram à procura de substâncias que pudessem intervir e interromper o processo já nos seus estágios iniciais. Nesta busca, eles identificaram dois compostos, designados SB202190 e U0126. O primeiro inibe o envio das vesículas para a derme, enquanto o segundo previne as alterações morfológicas neste tecido mesmo depois que os melanossomas com o microRNA tenham alcançado a derme. Ambos foram testados com sucesso na bancada do laboratório e agora são candidatos a integrar futuros remédios contra este tipo de câncer.

Diagnóstico precoce

Além disso, os cientistas ressaltam que tanto as mudanças vistas na derme quanto as próprias vesículas podem servir como poderosos indicativos para o diagnóstico precoce do melanoma, que segundo o Instituto Nacional do Cãncer (Inca) deverá atingir 5.670 brasileiros este ano e matou 1.547 em 2013. Isto é importante porque, apesar da agressividade, o melanoma é perfeitamente tratável nas suas fases iniciais. Estatísticas apontam que quando a doença é detectada ainda no chamado estágio 0, ou in situ, quando só afeta a epiderme, 99,9% dos pacientes têm uma sobrevida de mais de cinco anos, enquanto no estágio 1, quando os melanócitos afetados apenas começaram a enviar as recém-descobertas vesículas cheias de microRNA para derme, esta taxa de sobrevivência fica entre 89% e 95%. Já nos estágios mais avançados, 2, 3 e 4, as chances de sobrevida por cinco anos caem rapidamente, ficando entre 45% e 79% no primeiro caso, 24% a 70% no segundo e apenas de 7% a 19% no terceiro.

— Nosso estudo é um importante passo na caminho para uma cura completa do mais mortal dos cânceres de pele — avalia Carmit. — Esperamos que nossos achados ajudem a tornar o melanoma numa doença não ameaçadora e facilmente curável.


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