LabClínicas

NOTÍCIAS - Autoestima elevada é ‘arma’ para tratar câncer de mama - por Ana Beatriz de Melo A Del Tio

O sorriso largo custa a abandonar o rosto de Jussara Delmoral. Não que ela esteja livre de problemas. Aos 51 anos, a paulistana vive há oito com câncer mama, teve metástase no pulmão, dois anos depois do primeiro diagnóstico, e na calota craniana, em 2013. Retirou parte da mama direita, fez cirurgias e cumpriu o número limite de sessões de quimio e radioterapia — esta última a fez perder parte dos cabelos de forma definitiva. Jussara usa uma prótese capilar e não se cansa de rir de si mesma:

— Quando eu tiro a prótese, pareço o palhaço Bozo, com cabelo só dos lados — brinca ela.

Hoje, o pulmão está curado, mas ela controla o câncer de mama e o tumor gerado nos ossos do crânio com hormonioterapia — método para retirar o estrogênio do corpo — e quimioterapia oral, com comprimidos diários. Efeitos colaterais, como os enjoos constantes, não a impedem de fazer ginástica, aulas de dança de salão e viajar com muito mais frequência do que antes da doença.

— É mentira dizer que é fácil. Mas o tratamento depende muito de nós mesmas. Pensar de forma positiva, fazer exercícios e equilibrar a dieta me ajudam a viver bem dentro das minhas condições — conta Jussara, que criou esta semana o bem-humorado canal “SuperVivente”, no YouTube.

EXERCÍCIOS COMO ALIADOS

Pesquisas científicas recentes confirmam que a autoestima elevada pode ser uma grande aliada no tratamento do câncer de mama. O equilíbrio emocional, dizem especialistas, leva a paciente a praticar exercícios e a adotar uma dieta saudável, contribuindo para sua qualidade de vida.

Exercícios físicos, que tornam a pessoa mais disposta e feliz, ajudam tanto no tratamento quanto na prevenção do câncer — disse o presidente regional da Sociedade Brasileira de Mastologia no Rio de Janeiro, Roberto Vieira, durante a última edição do Encontros O GLOBO Saúde e Bem-estar, na última quarta-feira.

Coordenado pelo cardiologista Cláudio Domênico e mediado pela jornalista Viviane Nogueira, o seminário na Casa do Saber O GLOBO contou também com a ginecologista Juraci Ghiaroni. O evento discutiu a saúde da mulher, abordando diferentes aspectos desse universo, mas, realizado em meio ao Outubro Rosa, movimento criado para conscientizar a sociedade sobre o câncer de mama, este foi o assunto dominante durante o debate.

— O câncer de mama é muito associado à perda da feminilidade. Ao se imaginar sem os seios, a autoestima da mulher que recebe o diagnóstico vai lá embaixo. Mas, hoje, a maioria dos casos não exige retirada completa da mama e, quando exige, a reconstrução está mais acessível — afirmou Juraci


É consenso entre especialistas que otimismo é fundamental e provoca reflexos físicos. Mas a oncologista Laura Testa, do Instituto do Câncer de São Paulo (Icesp), lembra que não se pode exigir demais da mulher que recebe o diagnóstico de câncer, “como se ela fosse obrigada a sorrir o tempo todo”:

— É natural ficar triste e precisar de um período para aprender a lidar. Mas vejo que, com o tempo, as que se impõem diante da vida, as que usam lenços e seguem a terapia maquiadas se fortalecem e aumentam suas possibilidades de cura.

Para Gilberto Amorim, do Grupo Oncologia D’Or, acompanhamento de nutricionista também ajuda.

— Seguir a dica de que determinado alimento tira o inchaço do corpo e a faz se sentir mais bonita é tão importante quanto tomar um remédio para combater uma inflamação — exemplifica.

DE VOLTA AO DOUTORADO

Embora o recomendado seja realizar a mamografia anual após os 40 anos de idade, o número de mulheres mais jovens com câncer de mama tem aumentado, dizem oncologistas. Este é o caso de Lívia Hernandes, que descobriu a doença ano passado, aos 27 anos. Com histórico de 12 casos de câncer de mama na família, a moça já tinha o hábito de fazer o autoexame. Num deles, ela sentiu um caroço que, mesmo após mamografia e punção, parecia ser inofensivo. O diagnóstico só veio com a biópsia.

Depois da mastectomia do seio direito, ela começou a quimioterapia e percebeu em apenas 15 dias o início da queda dos cabelos. Organizou então um chá de lenço, no qual parentes e amigos a presentearam com 70 dessas peças.

— O lenço foi mais do que um acessório. Foi um agente transformador da minha percepção como mulher — conta ela, que hoje comanda o blog “É câncer de mama! E agora?”.

Há um mês, ela retirou também o seio esquerdo, ao descobrir que tem a mesma mutação da atriz Angelina Jolie. Essa herança genética aumenta em 87% as chances de o câncer aparecer na outra mama. Depois de descobrir a doença, Lívia passou a caminhar no mínimo três vezes por semana e a meditar diariamente. Neste semestre, ela retomou o curso de doutorado em Farmácia na USP, trancado desde que começou o tratamento.

— Minha vida se divide em a.c. e d.c.. O “c” é o câncer, que me fez reavaliar tudo o que eu fazia e me mostrou que eu estava levando a vida de forma corrida demais, sem atenção com o meu corpo.

MAMOGRAFIA: 40% DAS BRASILEIRAS NÃO FAZEM

A Pesquisa Nacional de Saúde, divulgada este ano com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que 40% das brasileiras de 50 a 69 anos não fazem mamografia. O exame é tido como prioritário para a detecção do câncer de mama, e a meta da Organização Mundial de Saúde (OMS) é de que pelo menos 70% das mulheres o realizem todo ano. Segundo a pesquisa, o maior número de mamografias foi realizado por brancas (66,2%) e com ensino superior completo (80,9%). As menores proporções foram entre negras (54,2%), pardas (52,9%) e com ensino fundamental incompleto (50,9%).

— É importante frisar que mesmo quem não tem caso de câncer na família deve fazer mamografia. Cerca de 80% das mulheres com a doença não têm histórico — ressaltou a ginecologista Juraci Ghiaroni, na última edição do Encontros O GLOBO Saúde e Bem- Estar.

Um estudo da Rede Goiana de Pesquisa em Mastologia reforça essa ideia ao revelar que, no Nordeste e no Norte, 14 pessoas em cada cem mil morrem de câncer de mama, enquanto no Sul e no Sudeste são 6,6 em cada cem mil. Segundo a Sociedade Brasileira de Mastologia, não há falta de mamógrafos em todo o país, mas má distribuição e subutilização.

— No Brasil, não há carência de novidade em termos de tratamentos. O que falta é executar direito o que já existe. Há poucos profissionais treinados para fazer mamografias de qualidade — exemplifica Rafael Kaliks, oncologista do Hospital Israelita Albert Einstein.

Para quem tem mamas densas, o ideal é fazer mamografia 3D, que aumenta em até 30% a detecção do câncer. O exame, porém, é ainda mais difícil de ser encontrado.



Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/sociedade/saude/autoestima-elevada-arma-para-tratar-cancer-de-mama-17806053#ixzz3p81iNVKZ 
© 1996 - 2015. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização. 

















Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/sociedade/saude/autoestima-elevada-arma-para-tratar-cancer-de-mama-17806053#ixzz3p81T9Vr3 
© 1996 - 2015. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.