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NOTÍCIAS - Altas doses de dois anti-inflamatórios aumentam riscos de problemas cardíacos - por Ana Beatriz de Melo A. Del Tio

Uma equipe de pesquisadores da Universidade de Oxford, na Inglaterra, investigou os registros de 353 mil pacientes de 639 ensaios clínicos distintos para avaliar o impacto na saúde de drogas anti-inflamatórias não esteroides. A conclusão foi que dois produtos comuns na gaveta de remédios dos brasileiros, o diclofenaco e o ibuprofeno, podem aumentar as chances de problemas cardíacos se tomado em altas doses e por um longo período.

Os cientistas estudaram as prescrições de doses altas: de 150 miligramas de diclofenaco ou 2.400 miligramas de ibuprofeno por dia. A equipe de Oxford calculou que para cada mil pacientes administrando tais doses dos medicamentos, haveria mais três casos de ataques cardíacos, sendo um deles fatal, a cada ano de consumo, e um caso a mais de hemorragia estomacal. Enquanto a incidência de ataques cardíacos na população normal é de oito caos por mil pessoas, de acordo com o estudo britânico, entre os que consomem tais níveis dos medicamentos o índice aumenta para 11 casos por mil pessoas.

Colin Baigent, líder da pesquisa, declarou ao site britânico BBC que três casos a mais por mil pessoas pode parecer um risco pequeno, mas que o “julgamento (sobre os riscos) deve ser feito pelos pacientes”. Os dois remédios costumam ser a salvação para controlar os sintomas de dor crônica de pacientes com artrite severa, público que usa anti-inflamatórios por períodos mais prolongados.

Pior para fumantes e obesos

O estudo, publicado nesta quinta-feira na revista “Lancet”, mostrou que as drogas representavam riscos ainda maiores para os fumantes e obesos. Mas o mesmo pesquisador ponderou que os resultados da pesquisa não devem preocupar pacientes que tomam as drogas por um curto período, como para cortar uma dor eventual.

Por outro lado, Baigent alerta que pacientes que se enquadram entre os que têm riscos de problemas cardíacos devem saber que a administração a longo prazo de altas doses pode aumentar ainda mais as chances. Hipertensos, pessoas com altos níveis de colesterol no sangue e fumantes têm mais riscos de desenvolver doenças cardiovasculares.

Os efeitos colaterais analisados no estudo são semelhantes aos descobertos em outro anti-inflamatório bastante vendido, inclusive no Brasil, até 2004. O Vioxx, marca comercial do laboratório Merk para o medicamento rofecoxib, foi retirado do mercado no mundo inteiro depois que o próprio fabricante descobriu que a droga poderia aumentar os riscos de infartos e derrames.

O naproxeno, outro anti-inflamatório estudado pelos pesquisadores de Oxford, não apresentou alterações no risco de doenças cardiovasculares, de acordo com a conclusão do estudo.